CONTEXTO
ReMIX, de Deborah Colker, é uma experiência difícil de traduzir em palavras. Ao reunir cenas de diferentes espetáculos, a montagem cria um jogo de ritmos, movimentos, sons e imagens que nos impede de absorver tudo de uma só vez. Justamente por isso, parece inesgotável. A força, a leveza e a disciplina dos bailarinos convivem com a sensação de liberdade e com a ideia de que há perfeição na imperfeição. A iluminação e os elementos de cena ampliam o espaço para a imaginação. Ao final, fica a sensação de ter vivido algo que vai além do espetáculo e permanece muito depois dos aplausos.

OPINIÃO
Há, definitivamente, perfeição na imperfeição. E na liberdade que, por trás, sabemos que é totalmente calculada. Tornei-me expectativa, incredibilidade e pura e completa admiração. Restou à mim e ao restante da plateia apenas incansáveis aplausos de pé desde o momento zero. As 2.252 pessoas ali viraram uma só, sentindo na pele os sentimentos indescritíveis que nos foram gerados. Mais uma vez, de frente para a arte, me senti em casa. Fui tudo e fui nada, fui o que pesa e o que é gentil. Não saí a mesma pessoa porque algo se encaixou e fez sentido. Algo que não chega à consciência.
INDICADO POR

Um visitante
Curadoria pessoal
“As pessoas acham que tenho loucura pelo risco, pelo difícil... Não é loucura. Eu gosto de desafiar a física do movimento, a gravidade. O limite existe, mas depende do que você propõe... o corpo tem possibilidades infinitas.”
