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Ópera do Malandro
Espetáculo · Musical

Ópera do Malandro

Jorge Farjalla

Eu não queria o realismo, mas um mascaramento, uma maquiagem que encobre o tom da pele e que se percebe também no visagismo, nos figurinos. Tudo exagerado, muito operístico, com um toque de melodrama vitoriano.

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CONTEXTO

Releitura da obra de Chico Buarque, Ópera do Malandro acompanha Max Overseas, um malandro envolvido com negócios ilícitos na Lapa dos anos 1940. Em meio a disputas com empresários, policiais corruptos e com aquele quê de amor questionável, a história transita entre a legalidade e o crime. Faz isso utilizando o humor, ironia e muita música (afinal, é um musical). A adaptação, como não poderia deixar de fazer, expõe a sociedade de controvérsias, corrupção, desigualdade e as consequentes relações de poder. Já sabemos, mas aqui a malandragem se prova além dessa parcela à margem da sociedade.

José Loreto como Max Overseas em Ópera do Malandro

OPINIÃO

Como uma adaptação, naturalmente é uma excelente oportunidade de reinterpretar clássicos de Chico Buarque; de Geni e o Zepelim, passando por Pedaço de Mim e chegando a Homenagem ao Malandro. Não nessa ordem, naturalmente. Não tenho crítica aos atores e atrizes, aos seus tons e interpretações das músicas. A iluminação acompanha tudo de forma brilhante, muito bem trabalhada, numa dinâmica muito interessante de foco. Inclusive, destaque muito forte para Geni (Valéria Barcellos) e Max Overseas (José Loreto). As coreografias igualmente boas e é admirável como em nenhum momento alguém sai do personagem nem mesmo nesses momentos, dá para ver a diferença na forma como dança, não atingindo um padrão coreográfico descaracterizado. A história, porém, achei pouco envolvente. Não consegui exatamente me desligar da realidade e me envolver no que estava sendo contado, não extrapolou o lado padrão-clichê, apesar de fazê-lo muito bem. E, como aqui nos pautamos no que o conteúdo nos faz sentir, não consigo avaliar de outra forma.

INDICADO POR

Um visitante

Curadoria pessoal

A força da montagem está na questão do feminino, diferente do original. Por isso que Geni tem forte poder na montagem.

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