CONTEXTO
Releitura da obra de Chico Buarque, Ópera do Malandro acompanha Max Overseas, um malandro envolvido com negócios ilícitos na Lapa dos anos 1940. Em meio a disputas com empresários, policiais corruptos e com aquele quê de amor questionável, a história transita entre a legalidade e o crime. Faz isso utilizando o humor, ironia e muita música (afinal, é um musical). A adaptação, como não poderia deixar de fazer, expõe a sociedade de controvérsias, corrupção, desigualdade e as consequentes relações de poder. Já sabemos, mas aqui a malandragem se prova além dessa parcela à margem da sociedade.

OPINIÃO
Como uma adaptação, naturalmente é uma excelente oportunidade de reinterpretar clássicos de Chico Buarque; de Geni e o Zepelim, passando por Pedaço de Mim e chegando a Homenagem ao Malandro. Não nessa ordem, naturalmente. Não tenho crítica aos atores e atrizes, aos seus tons e interpretações das músicas. A iluminação acompanha tudo de forma brilhante, muito bem trabalhada, numa dinâmica muito interessante de foco. Inclusive, destaque muito forte para Geni (Valéria Barcellos) e Max Overseas (José Loreto). As coreografias igualmente boas e é admirável como em nenhum momento alguém sai do personagem nem mesmo nesses momentos, dá para ver a diferença na forma como dança, não atingindo um padrão coreográfico descaracterizado. A história, porém, achei pouco envolvente. Não consegui exatamente me desligar da realidade e me envolver no que estava sendo contado, não extrapolou o lado padrão-clichê, apesar de fazê-lo muito bem. E, como aqui nos pautamos no que o conteúdo nos faz sentir, não consigo avaliar de outra forma.
INDICADO POR

Um visitante
Curadoria pessoal
MOMENTOS
“A força da montagem está na questão do feminino, diferente do original. Por isso que Geni tem forte poder na montagem.”
